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terça-feira, 14 de maio de 2013

Entre a vida e a morte

E se um dia, numa altura fulcral da nossa vida nos dessem um segundo apenas para escolher entre a vida e a morte? Se não houvesse tempo para pensar no certo e errado, no bem e no mal, no melhor e no pior, no amor e no ódio, na vida e na morte? Se num piscar de olhos o mundo avançasse mais rápido do que é suposto e não houvesse tempo para pensar em nada, o que faríamos?Por mais que tente parar, enquanto há tempo, e pensar, as respostas falham-me no meio das mil e uma questões que se amontoam. Tanta pergunta se resposta, tanto pensamento, tantos sentimentos. 

O cérebro paralisa. 

Foi assim que te sentiste, com uma criança ainda por nascer dentro de ti e teres de escolher no último segundo entre a vida e a morte de um, depois do esforço e do cansaço de uma noite de tentativas de parto. 
A angústia, o desespero, o medo da vida e da morte, o pânico, o pavor, o ódio pela falta de respostas e o amor por um coração que bate lá dentro e quer sair para te ver sorrir ainda! 

Coragem. 

Faz parte do teu nome, sem qualquer sombra de dúvida cada inspiração tua traz coragem e cada expiração faz de ti mais guerreira. 

Entre a vida e a morte escolheste a vida: dos dois!

Por mais que te puxassem para o outro lado, o amor de uma vida puxava-te para um coração exaltante por ter nos braços o primeiro filho. 
Não me lembro, mas gostava de o fazer; de me lembrar do teu primeiro sorriso para mim, tal como me lembro da conversa que já tivemos sobre eu vir ao mundo. Tão desejado e tão amaldiçoado. 
No fundo tu sabias, eu ia nascer guerreira como tu, querias isso por mais que a vida te custasse, tu querias ensinar-me, mesmo quando ainda só ouvias o bater do meu coração, que há que lutar por tudo aquilo que mais queremos, com que sonhamos e que mais amamos independentemente das mil vezes que temos de cair e das provas todas que temos de superar. 

Amor.

No céu as estrelas mais brilhantes acompanham-nos e olham-nos lá de cima: a nossa maior força; na terra somos acompanhadas desde o primeiro segundo em que quiseste mostrar a tua força pelas pessoas que mais nos amam mesmo quando estamos a morrer e nos agarram a mão quando já estamos moribundas e senti-mos: eu consigo outra vez. 

- A ti, minha força da Natureza, que sempre te vi lutar e que sempre me ensinaste a ir à guerra desde sempre, Mãe: Obrigado

sábado, 12 de janeiro de 2013

Cegueira integral da alma

O despertador toca, eu refugio-me nos lençóis de flanela, não me apetece sair, não me apetece enfrentar o nevoeiro nem o frio das manhãs de Inverno que me deixam ainda mais sonolenta. 
O despertador toca: atiro-o! Desprezo-o por completo. Até que tenho de me erguer no meio da escuridão do meu quarto, como um anjo que se levanta no meio das trevas já quase derrotado. 
Ponho um pé, depois o outro. Lavo a cara, saio de casa. 

(Merda não tenho as asas que me podiam ajudar a aprumar.) 

Tento abster-me, desistir, prefiro ficar, mas no último momento em que tento ignorar o mundo e voltar para a minha sinistra realidade em que sou mais do que consigo, o despertador toca só mais uma vez e sou coagida a ir. 

Inicío mais uma viagem. 

O milagre acontece: saio de casa. O frio congela-me as pálpebras, sinto-me cega pelo caminho todo que tenho de percorrer, provavelmente terei uma doença rara, ou pelo menos pouco homologada por parte de quem a vive; uma cegueira visual que vai para além da miopia e do estigmatismo, que vai alem do cérebro, embargando o meu coração, esse meu pobre coração. Cegueira integral da alma. 
As pálpebras não obedecem ao pensamento, o coração não acompanha a respiração, ainda respiro eu? Talvez não, mas movo-me. Vagueio. Movo-me como fantasma no seu funeral que não consegue decifrar o porquê de todos o tentarem empunhar e de ninguém conseguir cessar de gemer por si, sobre o seu corpo.
Então saio desfigurada como esse fantasma; confusa por uma rua que me seria vulgar, mas que nada me diz, não conheço, desconheço, não sinto, melindro; caminho sem fim, invado-me do mundo por ruas sem fins, sem vista, sem mim, sem o reconhecimento da vida, coma parcial da vida, a cegueira integral da alma. 

Sou como quem respira e não sabe para o que vivo. 
Sou como quem tenta exprimir e não consegue. 
Sou como quem quer sentir e não deixam. 
Sou como quem quer voar e nunca teve asas, nunca o fez, mas sempre o desejou… em vão. 

 Não sinto, não conheço, não vivo.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Desabafos

Ás vezes é mais complicado do que se pensa querer dizer algo quando sabemos que não é bem recebido, quando supomos as reacções e sabemos que meia-dúzia de frases vão ser desprezadas e que cada palavra será ignorada por simples teimosia e rancor ainda guardados. Noutros tempos não era assim, e o mal poderá ter sido o tempo passar demasiado depressa sem que se pudesse parar pelo menos umas horas para que alguém ou algo se perceba. Outras vezes é por o tempo andar tão devagar que não consegui-mos alcançar o que queremos por mais que a gente corra. Faz parte daquilo a que chamam Vida não será? Andar a velocidade que o tempo quer. 
Vida: jogo das escondidas com o tempo e com os sentimentos. Encontras melhor definição? Eu não.
E talvez não encontre porque cada vez me parece mais óbvio que nos deixamos controlar por ela em vez de sermos nós a controla-la, ou até porque passado tanto tempo (e a palavra tanto pode apenas ser um eufemismo ou então muito mais que isso dependendo da perspectiva que cada um de nós decide escolher, provavelmente a tua não será a mesma que a minha). 
Mas o que se pode fazer se não deixar-mos que as coisas continuem avançando com a corrente que o mar nos traz; umas vezes as coisas aproximam-se, outras afastam-se; umas vezes queremos nadar até ao fim, mas a corrente não deixa, outras queremos estar estagnados e a corrente leva-nos para um rumo desconhecido. 
“Andamos ao sabor do vento”, como diria a minha avó se eu lhe mostrasse o texto. Eu ando mais ao sabor da chuva, das marés, sou Peixes e provavelmente isso diz tudo. Não sou do tipo de ficar sentada, mas também me canso rapidamente, não desisto, mas também não luto sozinha, não acredito em contos de fadas, mas ainda acredito que os grandes e verdadeiros amores que nascem do fundo do coração…podem vencer. 


 Basta um sorriso, um olhar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Já vivemos vales e montanhas

Hoje o dia acordou cinzento, por mais que eu pusesse o sorriso que não posso perder, continuava cinzento, como eu, como se o sol so aparecesse se eu sorrisse e a escassa vontade que havia deixava o sol longe desta menina que é Lisboa. Entre os Arroios o Oriente fui passando e vendo todas as gentes, os freaks, os punks, os mitras, os betos… os milhares de betos que agora abundam e lembrei-me que um dia olhei para uma pequenina menina emo-punk com 3 pontinhos no canto do olho e apaixonei-me, os seus textos eram perfeitos, as suas palavras ardiam-me por dentro de tanto em comum que havia, a extravagancia da vida era a mesma, sorrisos e lágrimas sempre sinceras sem a preocupação do mundo que olham além. Vi essa pequena menina maior que eu crescer, ainda mais, vi-a tornar-se numa freak fritada como eu, numa freak beta, a minha loira que agora esta novamente morena e que dizia que eu era como uma borboleta que voava sempre mais. Percorremos tantas vezes a Baixa e o Chiado, Belém e a Expo, o Macdonald’s era o nosso santuário todas as tardes, todas as noites, sempre, sempre de maquina fotográfica atrás temos pena de as fotos não terem som e ao poderem reproduzir o “Cagueto” ou o “HAN!!” que a Andy fez no desespero de por um ganxo, ou até mesmo as gargalhadas parvas que damos e as bebedeiras que apanhamos juntas… ainda me lembro quando me vinhas dar nas orelhas por causa do Jorge e assim que eu entrava no bar da escola ia direito a ti e tu dizias “Oh amor não te preocupes isso volta, é só preciso tempo”, quantas vezes me disseste que ele não me tinha esquecido, quantas vezes me disseste para eu seguir sem olhar para traz, quantas vezes te disse “eu acho que isto ou aquilo é errado” ou “Marta não te deixo ir abaixo”… Já passamos mesmo tanto neste tempo que foi passando e a faculdade chegou, exames, frequências, amizades, bebidas, saídas, amizade, noitadas, alegria, lágrima, amizade, amor… já referi amizade? SIM! Amizade acima de qualquer outra coisa. Vi aquela pequena tornar-se mulher. Cresceu. Sofreu a meu lado, viveu comigo cada problema, cada confusão e sem nunca precisar de dizer “preciso de um abraço” o abraço estava sempre lá mesmo quando os olhos inchados já mal se abriam. Lembro-me de passar dias enfiada na cama sem ver a luz do dia, escondida, e daquela pequena me vir resgatar, nunca me deixou no escuro, mostrou-me sempre a luz do dia, a luz da vida, tal como eu lhe fui fazendo.


-Este é antigo e para alguém que sempre esteve comigo :)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tic-tac

O tempo passa, os minutos escasseiam, houvesse o tic-tac constante de um relógio já parado, sem vida. Ouve-se o silêncio de uma noite escura onde o silêncio desce e os olhos se fecham, já mortos do desgaste da vida. Pensas ser mais uma, só mais uma em que o frio te gela o sangue que escorre nas veias, que o ar falta e tudo continua igual. Num impulso, saltas! Vês uma luz, pensas na mudança, na verdade, na hora em que conseguiras ter o eu nunca tiveste. Sonhas. Acreditas, queres acreditar mais uma vez e desta vez pensar que no meio da mentira, das palavras soltas em vão, existe verdade. Queres confiar, pensas que pode valer a pena, que agora é talvez um pouco diferente… enganaste-te, foi só mais uma vez no meio de tantas que já não faz diferença. Pensasse-se sempre que conhecemos alguém, confiamos-lhe segredos, desvendamos-lhe os sonhos mais ousados, acreditamos em palavras mudas e sem legenda, revelamo-nos, caímos, erramos, perdemos… 
Na verdade é nisto que consiste a tal dita “vida”, sucessões de confrontos sem nunca invadir nada, sem viver. Tentativas frustradas de se tentar ser sem conseguir, de vencer mas sempre cair, de conquistar mas sempre perder, de viver mas sempre ver a vida passar. 
O cansaço ganha sempre, veloz e arduamente vence qualquer corpo são ou demente, a fraqueza de nos sentarmos a ver o tempo passar, a vida a avançar e o ar a faltar. Tic-tac faz um relógio já cansado de marcar um tempo sem paz, sem vida, sem nada. Parou. Partiu sem se despedir do que não havia para abraçar. Parou, que descanse em paz essa pobre memória, talvez lá longe no infinito encontre o valor do que nunca teve… 

 Tic-tac.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Na vida tudo tem um momento e uma hora exacta para acontecer

Cruzaram a esquina sem nunca se verem, cruzaram os corredores da mesma escola sem nunca se olharam, foram mais do que invisíveis aos olhos um do outro e no dia em que se olharam… tudo mudou…

«Mas quem é esta? De onde é que ela veio? Agora está aqui sempre?», as questões levantavam-se e as respostas acabavam por sossega-lo, a estranha que agora todos os dias entrava na sua vida sempre estivera perto.

As primeiras palavras marcaram, a loucura era notável, ao menos calçava uns All Star «Menos mal…» pensou ele.
Na verdade todas as palavras lhe soavam a familiar, ela já pertencia ao mundo dele antes dele sequer saber. Já se conheciam dos cruzamentos que faziam lado a lado sem repararem.
Foi essa a estranha que, em escassos dias, o ensinou a viver com alegria outra vez, que lhe trouxe o sorriso e o reconfortou nas conversas e em que lhe mostrou que passo a passo não se constrói só um castelo, mas também se chega ao céu.

Hoje, os abraços, que antes eram para ele balas fatais de um mundo inteiro que o queria matar, são o refúgio das noites gélidas do Inverno que os uniu, mesmo quando a chuva o tenta afastar e ela (também) treme.

«Não tem de acabar mal… eu não quero que acabe… tu queres?», disse ele meio envergonhado por trás do brilho apaixonado, escondido atrás do receio da resposta demorada.

«Não quero, estou bem contigo e quero estar contigo», o olhar dela já respondiam antes de ela proferir qualquer palavra.

Os olhos cintilaram ainda mais do que era normal, o sorriso saiu da cara e acompanhou-os nas esquinas que agora cruzam de mãos dadas, aquelas que antes cruzavam sem se olhar. Hoje riem-se dos estranhos que eram um para o outro e dos dias que passaram na sombra um do outro sem nunca darem conta da existência um do outro. Sentem-se crianças a começar de novo.

Na vida tudo tem um tempo, um momento e hora exacta para acontecer.
Este é o nosso.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

F.S


Nem tudo faz sentido quando o sentido já deixou de existir, e se alguma vez chegou a existir depressa se desfez antes que o desfizessem e aí soubessem que jamais existiria.

Os textos já não fazem sentido, a devoção que um dia lhes dei acabou por fugir, ela sabia que um dia haveria um desfecho, e antes que o extremo chegasse fugiu de mim. Era um vício, um desabafo eterno deitado para o papel, palavras mudas escritas por um coração com saudade, que mais que nunca, durante 4 anos necessitou de sentir perto do que já não podia estar; agora não é que já não precise, mas essa necessidade percorre lágrimas de um rosto molhado, e por isso este rosto frio em que o sorriso quente arrefeceu, o que eram as cores quentes, o amarelo, o rosa, o vermelho, o que era a vida, tornou-se, lamentavelmente, a morte, o preto, o roxo, o cinzento, incansavelmente tomaram conta de mim, do sonho...
Por muito esforço que se faça nada volta, os sítios que eram os do costume tornaram-se vulgarmente cansados de pessoas que sempre lá estiveram mas que se esqueceram, o tempo não permite que todos se lembrem, e mesmo, haverão pessoas que o fazem de propósito, e tudo cai no baú do esquecimento. Mas eu nunca te esqueci, nem sequer o irei fazer, porque a melhor memória que tenho de ti, o céu azul que os teus olhos reflectiam e o beijo que todos os dias me davas e com indiferença dizias “então já acabou por hoje?”.

Passado, durmo lado a lado com ele, e busco-te a cada instante no céu brilhante da noite!

(Meu eterno, F.S)

domingo, 21 de outubro de 2012

Dormi a teu lado...


Esta noite sei que vieste, senti o beijo de boa noite, o teu aconchego, a tua mão protectora sobre a minha face, deixaste-me um bilhete e sussurraste-me ao ouvido bem baixinho, para que eu não acordasse, «Amo-te…». Quando acordei, pensei ser apenas um mero sonho, no meio de tantos em que tu entras, mas enganava-me, o bilhetinho comprovava a tua presença e o teu sentimento «Esta noite, dormi a teu lado. Amo-te».

sábado, 20 de outubro de 2012

A & Z

Ali ao lado, olho e vejo, que a felicidade que se vive agora é mais profunda do que a que antes se vivia. Não espera, engano-me, afinal aquele sentimento de contentamento, satisfação e alegria que o coração, inicialmente, noutros tempos, sentia, hoje nem está mais. Trocou-se o bater veloz, que vinha cada vez que se entrelaçavam olhares, pelas lágrimas que hoje se perdem, não de água, nem de sangue, mas de vida, lágrimas feitas de uma poesia com um final ainda por se cantar; foi tão brusca a mudança que não deu tempo de se compreender.

 (inspirado numa historia verídica)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Eu reparo em ti

Eu reparo em ti, à noite fecho os olhos e estás lá sempre, sinto o teu cheiro, o aconchego, o teu olhar que prevalece sobre mim para me proteger, essa cor excepcional, o teu carinho e o beijo na testa que sempre me vens dar, aquele que me faz adormecer e que me acaba por fazer respirar. Porque as estrelas mais belas não brilham na noite, mas sim dentro de cada um de nós, e tu brilhas e iluminas tudo ao teu redor. 



Para: Marta Filipa Pires Lopes

sábado, 13 de outubro de 2012

Um adeus que foi para sempre




A tarde estava pálida, ela tinha acabado de acordar, pegou no telefone e ligou, a quem mais poderia ligar senão a pudesse acalmar? Ligou-lhe, então do outro lado ouviu:




- Então, amor, como estás?
- Bem sempre bem, como me ensinaste….
- Oh vá lá, não sejas assim eu conheço-te!
- E tu como estás? Melhor?
- Na mesma… as coisas não são assim
- Preocupa-te contigo, em ficar bom, tudo o resto não interessa é secundário
- Olha, vou desligar, um beijo.




E antes que tivesse tempo de dizer “Adeus” já ela ouvia o “pii pii pii” do outro lado.
Refugiou-se nos lençóis, fechou os olhos só mais um pouco, desejou adormecer outra vez, desejou que estivesses do meu lado, desejou, desejou…
A tarde foi ficando nobre, mas ela no seu estado de lástima já degradado continuava presa debaixo dos lençóis, achara que assim se poderia proteger do mundo com uns simples lençóis, foi boba, ainda o é.
O tempo foi passando e o sol trocou de lugar com as nuvens, estas por sua vez trouxeram a lua, naquele dia mais depressa que nos outros dias, ou seria ela que teria ficado tempo demasiado abstrusa do mundo? Não interessa, já pouco do que a vida tinha lhe interessava, a cativava ou a apaixonava.
O rádio toca por tocar, o computador ligado por estar, a televisão fala sozinha e os livros mudos chatearam-se consigo, já ela chateou-se com a vida. Acha justo já que a vida lhe virou costas e o mundo nem se importou.




- Olá então como é que estás, melhor…?
(Fez-se silêncio, e o silêncio torna-se constrangedor quando já não se vive por gosto)
- Mal. E tu?
(A frieza gelou ainda mais aquele silêncio que se fazia sentir)
- Bem… queres falar sobre o que tens?
- Eu sei como estás. Não finjas, eu conheço-te. Eu estou triste, vazio, perdi o gosto pela vida, sinto-me distante… Andreia estamos tão distantes. Tu não me percebes e eu não te percebo…
- Não te quero massacrar com os meus problemas.
- Se me contasses…
(Ela interrompeu, não o queria com pena, não queria que a sua última recordação fosse pungente, queria protege-lo)
- Não te vou contar, tens um grande problema para resolver e isso já te ocupa bastante tempo.
- Eu estou a sofrer tanto, sinto-me vazio, vazio, triste, escuro, sabes?
- Sim sei, acredita que sei mesmo!
- Mas ainda ontem disseste que não tinhas conhecido ninguém que passasse pelo mesmo…
- Sim não conheço, mas sei exactamente o que é esse vazio…
- Desculpa-me, mas quero ficar sozinho…




O chão estremeceu, o céu desabou. Um terramoto? Um furacão? Não, não, não!!! Eram apenas pedaços do seu coração.
Sentiu os pés húmidos, chegou a achar que estava a delirar, mas espreitou e apercebeu-se do enorme lago que as lágrimas que saiam do seu vulto formavam; gritou, chorou, “Porquê, mas porquê a mim? Merecia assim tanto isto?” perguntou-se vezes sem conta, mas ninguém a ouviu, não haviam respostas. O mundo tinha parado, ou estaria ela no compasso errado da valsa que nos consome durante a vida?
Perdeu a noção do tempo, os lençóis eram agora o seu refúgio, as poucas palavras que dizia revelavam desgosto, mas ainda assim amor, e no meio desse sentimento e dos olhos inchados da epilepsia que ali adquiriram via-se o cansaço, o esgotamento que lhe consumia a vida, que a fizeram perder o sorriso, que a matava dia após dia e a retirava do mundo.
Era uma sombra, sentia-se sombra já sem ninguém, sozinha, perdida, já nada tinha e então desejava, desejava…
Sabia o que tinha, sabia que estava sozinha, ninguém a ia perceber, foi por isso que deixou o que mais amava ir-se embora, ninguém sabia o que tinha, ninguém a olhava como alguém que precisava de ajuda, olhavam-na como uma menina feliz, tímida e forte que agora perdera o sorriso, o verdadeiro sorriso mas ainda desejava, desejava…




- Sim ainda gosto de ti…




O coração dela já não palpitou, os olhos já não se abriram e a audição também a atraiçoou. Evadiu-se do cosmos sem ouvir o que mais queria, o que tanto desejava. Por ela abaixo escorria o sangue que denunciava a sua partida, e o vento uivava como um pobre cão que prediz uma notícia.
Ela sabia que num amor imortal não eram as lágrimas que os ia juntar mas a força desumana que os consumia. Foi amá-lo num lugar seguro, imune, o lugar onde sabia que o podia proteger, e tudo o que mais queria era ver o sorriso estampado na face do homem que sempre amara mesmo antes de lho dizer. Uma estrela.


- A tendência é quando se vê um grande amor a querer sair pela porta correr atrás, prende-lo, nem que seja só mais um pequeno instante; quer-se uma recordação melhor, o último beijo, o último olhar, a última chama viva que o coração deita. (Muitos dizem por isso que somos fracas, outros que por sermos assim somos mais fortes.) - 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Caminhámos juntas

Caminhámos juntas durante dias, meses, anos talvez, horas a fio, e eu sentia apertares-me a mão sempre que havia necessidade, olhávamo-nos como duas crianças que por momentos quiseram ser senhoras, cada uma por si. 
Caímos!
Caímos tão velozmente, sem tempo de percepção sobre cada acto, que quando tu ainda me dizias que eu perdia com o tempo, sem te aperceberes, já tu tinhas perdido tudo, tudo num único e amargo instante. Achavas-te dona do mundo, voz de uma razão que acabaste por despedaçar a caixinha da amizade que um dia te entreguei, vi-a hoje no meio de espinhos, desfeita e sem a música que antes cantávamos. A vida não foi como a pintámos, esse retrato manchou com tanta lágrima agora perdida, a vida é o que fazemos dela; é este o resultado.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Coração que nos guia

Senti-o pela alma acima, senti-o vibrar, o seu odor, o sorriso, o doce brilhar do seu pequeno olhar, tudo se enlaçava em mim à medida que se aproximava. Era como se estrelas brilhassem, sininhos tocassem a mais bela canção sobre mim e não existisse mais ninguém, naquele momento, no universo que me pudesse deter. Vi-o virar-se lentamente, vi-o cada vez mais perto, como se não houvesse mais um instante a perder, como se algo nos ligasse já há muito tempo e que sem sabermos nos guiou um até ao outro. Foi estranho, mas acabou por acontecer, não eram apenas entoações sonoras que eu ouvia, eram melodias de que ama e sabe o caminho que tem de seguir. O seu toque, o céu, a lua, por ensejos não existiam limites e eu sentia-me pequena nos braços de alguém tão grande. A verdade é que quando o momento chega, nada o pode contender, o coração parece detonar-se por si só e na eloquência do mundo apenas dois seres interessam, dois seres que formam unanimemente um. 

Não são precisos mapas, o coração acaba por nos guiar.

Um dia vais ser tu

Um dia vais-te perguntar porque é que mais nenhuma deu certo. Um dia vais querer saber a razão de todas as lágrimas perdidas. Um dia vais querer saber porque sorriste para a pessoa errada. Um dia vais querer ser tu e não vais conseguir. Um dia vais achar que ninguém te vê mas és tu que não vês o mundo. Um dia mais querer tudo e ninguém te vai dar nada. Um dia vais achar que não há ninguém certo para ti. Um dia vais deixar de acreditar no amor. Um dia vais deixar de cantar. Também vais deixar de acreditar em contos de fadas. E ainda vais achar piroso tudo o que envolva corações. Um dia vais querer estar a ouvir o mar e não vais ter ninguém para te abraçar. Um dia vais lutar e voltar a perder. Um dia vais perguntar-te porque é que cais tantas vezes. Um dia vais sair à rua de pijama sem te importares com ninguém. Um dia vais olhar para um desconhecido e não sabes se ele é o tal. 

Mas... 

Mas… Um dia vais ser tu novamente. Um dia vais olhar para trás e perceber que todos os erros trilharam o caminho até ao amor da tua vida e que os voltarias a cometer todos novamente.. Um dia vais perceber que todos temos uma pessoa destinada. Um dia vais saber que independentemente do tempo lá fora há alguém que te vai sempre abraçar. Um dia vais encontrar a tua felicidade. Um dia vais encontrar o verdadeiro amor. Um dia vais acreditar que ninguém invade o teu castelo. Um dia vais perceber que afinal és imbatível. Um dia vais voltar a ter o mundo nas mãos. Um dia vais achar que todas as músicas de amor são para ti. Um dia vais fazer o teu próprio conto de fadas e vais conta-lo vezes sem conta. Um dia vais ter ao teu lado o homem da tua vida e não o vais deixar fugir! 

Um dia vais ser tu, mas esta foi a minha vez.